O homem nem sempre tem razão

quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Estou a ler a espécie de autobriografia do escritor sensação do momento, Haruki Murakami, que recomendo vivamente (a opinião será publicada em espaço oportuno, que não é este, de certeza!). Ninguém duvida de que Murakami escreve bem e que é hábil o suficiente para tornar o assunto mais aborrecido do mundo - a corrida (de fundo) - numa narrativa absorvente. Ainda assim, sublinho: correr está entre as 10 coisas que mais detesto.

Adiante. Até agora só não concordo com uma afirmação:

"Pensando bem, é possível que a minha tendência para engordar possa ser encarada como uma bênção, Por outras palavras, se eu não quiser ganhar peso vejo-me obrigado a trabalhar no duro e a exercitar-me todos os dias" (p. 50).

PEÇO DESCULPA? Importa-se de repetir, é que não entendi muito bem o seu ponto de vista, Sr. Murakami. Estava-mo-nos a entender tão bem até aqui e o Sr. tem a lata de me dizer uma coisa dessas? Vê-se mesmo que é homem...  Eu não quero trabalhar no duro nem me exercitar todos os dias (nem um dia, quanto mais todos!). Eu quero é que o meu metabolismo se convença de que um hambúrguer com batatas fritas tem o mesmo número de calorias que uma sopa e uma salada. Isso e saber que daqui a 20 anos visto o 36, embora as probabilidades sejam tão altas como eu ganhar o Euromilhões.

Abençoados são os que comem tudo e não engordam uma grama... e não os desgraçados que passam pela vida a morrer, quase literalmente, de fome.

6 Disparates:

mau feitio disse...

Sou magra, posso comer o que quiser, e passo o dia a ouvir: estás tão magra... enfim

qto as apostas dos cavalos, obrigada pelo teu comentario. mtooo bom

JM disse...

Também quero!!! Não sou gorda, mas faço esforços hercúleos para me manter «na linha». Detesto essa expressão... pareço um comboio a falar.

De nada =) Aquilo fez-me pensar, coisa de que gosto particularmente.

india disse...

Olha, sabes isso lembrou-me de uma coisa que me disseram hoje e sobre a qual vou já a correr "dissertar". Sabes uma coisa, que se lixem as calorias e os números. Vamos todos com o ca****lho como dizem por aqui os típicos transmontanos, por isso, mais vale ir de barriga cheia:)
(os bichinhos também precisam de comer)
Sobre o livro, não conheço mas depois conta:)

JM disse...

Lá isso é verdade.. ninguém fica por cá para se rir de quem foi ;) E como não há nada mais certo do que a sabedoria popular: do que cá fica não vai nada. Por esta lógica, e partindo do princípio de que o nosso corpo entra em processo lento de decomposição ou é logo carbonizado, como está na moda, a gordura não é excepção. Ainda assim, gosto de ter roupa que me sirva... nem que seja só durante mais uns anos.

t i a g o disse...

Estou a ler o mesmo livro. Acho que é muito relativo. O que o Murakami diz é que por um lado ter a tendência para engordar é um incentivo para a pessoa ficar mais saudável, visto que é quase que obrigada a fazer exercício, e isso vem trazer benefícios na saúde. Quem é magro por si só à partida não se preocupa tanto com isso, o que é mau.

Eu pessoalmente não passo de «saco de ossos», e por mais que coma as pesssoas não deixam de me dizer «Alimenta-te, rapaz!». È o mesmo problema, no inverso, percebes? Existe a mesma frustração. È claro que queremos evitar os extremos - e por tendência gostamos mais da situação inversa à nossa.

Por isso o que o Murakami é relativo. :) Já agora, estou a adorar o livro! *.*

JM disse...

Oh Tiago... eu sei ;) Mas a minha parte menos «séria» e mais feminina ressentiu-se com a afirmação. Eu queria mesmo era comer tudo o que me desse na gana e não engordar uma grama.

Quanto ao livro, ADOREI!

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